Louça

Meu bem, não te chamo de "meu" de novo, porque não posso, você é seu, só seu. Não posso te chamar assim, porque quando chamo sempre dá problema, e acabo te colocando entre os muitos "meus", e veja que me preocupo com isso aqui de gente!
Fica bem, e com certeza melhor do que na minha mão, porque quando é meu, descuido e cai no chão, já era. Não tenho culpa se são todos de louça, e gostam de mim, porque não consigo deixá-los na sargeta da vida, sem sorriso e sem um pouco das minhas palavras. Mas o que adianta? Pego, cuido, escorrega, cai e quebra, pronto. É melhor não curar todo esse abando, e deixar que eles trinquem de tanto silêncio e solidão. É, da próxima vez nem toco .

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 8/24/2011 12:27:00 PM | 3 comentários

Fome escarlate

Corre-corre, de coração em coração, olha, cheira, aperta, mordisca: aprecia e cospe. Arranha cada um, tira a pele, queima, derrete e sangra. Morde e enche a boca, deixando pingar as gotas sutis de amor escarlate, enquanto ainda há vontade nos beijos jovens e nos olhos fechados.
Declara o maior amor que consegue arrancar de dentro de si, convence, e rouba o que deseja que seja seu, só seu, para o resto da vida. Ainda que não queira mais, e deixe de lado, cada pedaço morto de um amor desperdiçado.
Sente mais fome, percorre e rasteja, pega depressa, antes que alguém veja. Abre, rasga, mais uma vez, porque realmente sente prazer em despedaçar cada coração como se fosse o último. Faz assim, mas não faz por mal, nunca quis por maldade. Com os dentes bondosos, ainda que manchados com a cor de tristeza, chora baixo, tenta explicar sua fome, incessável, mas não encontra vítima que entenda, gostaria de pedir desculpas, não gosta de comer com pressa, e mastigar com tanta força, porque machuca.
Um mal grave, bonito de início, mas tão fatal nos fins que tem... São coisas da idade, esperava que fossem. Crescia, e ria, ardendo de hora solidão, hora companhia, daqueles amores, amores, e amores, que devorava sem querer, por uma voracidade -involuntária- que crescia nas entranhas.
Mas é tão bonito... Por que machuca? A idade é grave, gravíssima, sem cura, sem preguiça, há sempre mais curiosidade de provar uma fruta mais vermelha, e tão viçosa quanto a cor picante das veias, que quase não suportam a rapidez do sangue que corre, em fuga, mas também a procura.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 8/19/2011 08:55:00 PM | 6 comentários

Dor(me)-de-cabeça-vazia...

Minhas ideias estão doendo. Três horas para ler e pensar é muito, não preciso do dobro, nem da metade. E para quê tenho o triplo e meio a mais do que preciso, eu não sei. Por isso que estas tantas horas de tortura, deixo passar sem atenção, prefiro ficar não pensando, em outras cem coisas que estão querendo passear pela cabeça, sem fazer barulho, e sem dar trabalho, e isto ainda não me faz tão preguiçosa.
   Medito sobre tudo que é desimportante para os grandes pensantes, que me beliscam, até o último pedacinho de mente que restava sem os germes das palavras difíceis. Os germes que cheiram a tudo que eu não quero saber, mesmo se for muito necessário.
   Eu vou ranger meus dentes, bem forte, bem alto, até doer. Eu vou passar duas horas pensando na quantidade de perdas-de-tempo que eu preciso infincar na minha cabeça. E se eu tiver tanta coragem quanto raiva, vou martelar cada palavra, furar minhas ideias puras, contaminá-las, serei um indivíduo de outras ideias, velhas, afogadas e sujas de limo, ideias de desconhecidos, que me torturam.
   Me desespero tanto! Penhasco, onde se esconde? Onde, onde? 
Dizem que no triângulo das bermudas tudo parece mais tranquilo: some chão, some eu, mundo some, some tu-do. Sinto muito, muito, ter que comer a cabeça do mundo e cuspir o que eu não gosto de saber. Eu não gosto. 
   Não... Queria rir, mas hoje não vai ser, perdi muito tempo reclamando, que queria parar de reclamar, e no fim, não ri. Já passou da meia-noite, e se eu quiser rir, não pode mais ser hoje, que acabou de virar ontem, assim: "há duas horas foi ontem". Tão fácil, tão rapidinho. Se por acaso me convir dar uma risada, terá de ser no hoje-hoje, o segundo.
   Hoje, que vai ser amanhã depois que eu acordar, da curta noite de duas horas de sono, a chuva vai fazer músicas dissonantes estranhas, enquanto eu estiver pensando no que dizer, depois que abraçar a minha menina. Ou pelo menos eu espero que a chuva cante, e que eu veja a menina.
   Ela vai segurar a chave pendurada no meu pescoço, como se fosse dela, vai abrir meu cérebro como se fosse um coração metafórico, e vai abraçar meus pensamentos doentes e cansados, como se eles fossem eu mesma. Eu não acho nada disso completamente fora do normal. Só vejo poesia demais, para a minha pouca menina. E menina demais, para as minhas poucas ideias: umas assim, e as utras viradas ao contrário. As ideias de medo do mundo, e as de amor peculiar, acompanhado por chuva. 
Menina: destranque, abra, carregue e cure. Eu estou doente de ideias hoje, depois que acordei do sono pouco e duro. Os dias andam tristes. Torne mais fácil, feche meus olhos, tranque as portas de mim. Me faça dormir mais.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 8/13/2011 02:30:00 AM | 4 comentários

Senhorita Microfonia

   Eu me arrependo cada segundo de ter aceitado cantar aquela música. As coisas sempre saem da pior maneira quando você está do lado de fora do quarto, sem tapete, sem travesseiro para rir, quando você cospe notas absurdas. Seria pior se rissem, mas o silêncio que eu via na cara das pessoas que nem pensavam na minha aflição era o pior. Acho que não davam a mínima, para a menina tola que não fazia diferença na noite de terça-feira delas. 
   Parecia um pesadelo, dos mais agoniantes, quando você faz coisas que estragariam sua vida de uma vez, e você certamente não teria coragem de fazer se fosse de verdade. Não aguentava não me ouvir, piorava quando ouvia, porque eu não conseguia fazer certo, eu não conseguia fazer certo.
   Os tímidos então, são um bando de criaturas enjoadas e orgulhosas? Era tudo de verdade, e eu até pensei que ia rir dessas coisas depois de um tempo, mas tenho certeza que não vou. Faço caras de sofrimento, e dou gritinhos estéricos e repentinos quando me lembro. É muito fácil falar quando eu não estou mais lá. Na verdade, continua difícil, mas eu continuo cantando todos os dias, pra o canto da parede e para o armário, que guarda minhas notas graves e estranhas com muito cuidado.
   Eu tenho medo de microfones, que microfoniam quando eu os viro ao contrário, quando sinto muito mais vontade de entortar meu pescoço e quebrar meus ossos, mas não posso.
   Acordei assustada, lembrando a Microfonia me gritando "SAIA, ESTÚPIDA". Eu deveria ter corrido, antes mesmo de começar. Teria menos vergonha de ter tido vergonha, do que a vergonha que está pinicando nas minhas costelas, por ter criado uma coragem feia e deselegante, uma coragem ainda um pouco tímida. Não era a hora.

   Venha só você aqui do meu lado, dividir comigo meu tapete, meu pequeno sonho, de cantar sozinha pra mim mesma, e cantar só um pouquinho pra você, para manter o cuidado que tomaram minhas paredes e meu armário, de guardar bem guardado, meu sorriso desafinado, não tenho tanta vergonha assim de você.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 7/27/2011 07:22:00 PM | 3 comentários

Sete anos, sete dias

 O silêncio era quase como um sonho durante os sete dias em que ela esteve lá. As perguntas eram mais frequentes que o tanto de vezes que ela conseguia respirar entre as palavras. Bastava ouvir rastros da sua voz chegando pelas escadas, que certamente, a paz de todos dentro de casa, mais a do resto da vizinhança, e da vizinhança vizinha, saía pela porta dos fundos. Correndo. 
 Ela abria a porta como quem derruba a entrada do terreno inimigo, então ouvia-se um coro de suspiros daqueles que eram escravos de sua voz, tão aguda, irritante e autoritária. Sete anos. Sete anos haviam sido o suficiente para que aquele monstro, abominável, se tornasse tão abominável, para qualquer um, e nem um pouco para ele mesmo.
 Morangos à mesa: dois terços, incluindo os maiores e mais vermelhos, iam sem muita cerimônia, se atirar como pedras na boca com menos dentes que a quantidade de morangos, aquela boca que ela fazia questão de manter aberta, ao mesmo tempo que entrava comida e saiam palavras.
 Suas mãos, sempre mais sujas que os pés, com manchas das frutas vermelhas que ela tinha roubado do pacote que alguém acabara de trazer do mercado, unhas curtas, redondas, roídas, sujas e com restos de esmaltes toscos. Com as mesmas mãos, ela pegava nas outras pessoas, nos cabelos, no que comia, sempre deixando sua marca de pequeno animal selvagem, morrendo de fome e querendo sempre mais alguma coisa, de preferência a que está no prato ao lado. E ela conseguia. Com ou sem "sim", que ela sempre ousava arrancar dos outros com um "por favor", e uma cara de cínica e coitada que me dava nojo, nos seus monólogos onde ela perguntava, e, gentilmente, tomava a liberdade de responder o que lhe parecia melhor.
E como me dava nojo, no final do dia, ter que falar seu nome pela septuagésima vez, provavelmente por alguma das mil besteiras que ela conseguia fazer, de cinco em menos cinco minutos. Criança estúpida. Carregava os pratos e mais tudo que fosse frágil, como se estivesse dando o seu máximo para que tudo escorregasse e caísse no chão com muita vontade.
Seus cabelos, imensos, loiros, castanhos e claros, pareciam mais novelos de fios misturados, embaraçados, que formavam cinco ou seis pontas, num cabelo que supostamente seria liso. Entre tudo que odiei nela, estão os desenhos, que ela pensava serem os melhores, exceto pelos meninos, que ela dizia não desenhar tão bem. Para mim, os meninos, as meninas, árvores, peixes, EU, ela desenhava o pior imaginável. Terrível. E veja que foram só sete dias. Terríveis.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 7/26/2011 04:59:00 PM | 1 comentários

Sobrancelhas século XIX



Eu não gosto de mãos. Talvez esse não seja o melhor jeito de começar a falar do menino das sobrancelhas risonhas...

Agora uso brincos, tão normais quanto as minhas calças justas, e a minha timidez.
Eu não sou tímida. Essa é quase a primeira vez que não tenho coragem para dizer "bom dia" e continuar parada ao seu lado, tentando ignorar o silêncio-irônico-dos-bobos-que-esperavam-falar-mais, mas você congela em sua mania de coçar o braço direito, como se sua mão esquerda estivesse nervosa demais para ficar quieta, enquanto eu faço um mudo toc-toc com a ponta dos sapatos, olhando pro chão, aguardando a cabeça querer olhar pro teto. Depois de algum tempo, acabaríamos dizendo qualquer coisa, qualquer uma, qualquer duas, você sorriria brevemente para mim com suas sobrancelhas antigas, de calouro de faculdade de medicina, burguês, gentil e educado, eu gosto tanto delas.
Não, na verdade por enquanto gosto delas sorrindo, no momento em que rimos juntos de outra coisa, e eu as procuro a tempo de aproveitar seu riso.
Então é cedo demais para querer sorrir? Com licença, vou correr, correr, o desespero está sempre atrás, e eu? Bem, fico sempre por perto desesperando...
  Às vezes faço de propósito, tentar fazer notar o que eu estou procurando, e quando acho, me desvio rapidamente de você e volto a escrever, como se nada tivesse acontecido. Você não reage. Ah, então por que não me deixa de uma vez? Não é como esperar pela próxima vez em que você vai visitar meus sonhos, mas está umas duas boas quadras perto disso. Minhas aflições quando dou as costas e você é engolido pelo chão, como quem me engana, divertindo-se com a minha testa de criança muito mau-humorada, sorrisos nervosos e radiantes de an-gús-tia, sim, sim, sim. Esquece isso e mais cinquenta e uma palavras que eu falar na sua frente, é certo, vou falar, contadas, cinquenta e uma bobagens.
Nunca vi seus pés, e seus sapatos não me dizem absolutamente nada do que eu penso que você é, e ninguém veio me contar, afinal, quem sabe? Ninguém sabe melhor do que eu que dentro dos seus sapatos moram pés brancos e antigos, tenho certeza, você não é daqui, nem de hoje, vejo no sorriso que fazem as mais curiosas sobrancelhas que já vi, toda manhã que você me intimida com seus olhos castanhos-assustados, seu gosto por exatas e com seu signo, curiosamente invertido, por suas palavras tímidas e raras, de um leão envergonhado.
Nossas conversas nunca duraram muito mais que quinze segundos, mas sei que em comum temos pelo menos medo de se olhar por muito tempo, e medo de dizer tchau e bom dia.
Poderia listar todas as coisas que você acharia de estranho em mim, e nas minhas palavras. Com exceção de acreditar em signos astrológicos e me emocionar com a palavra "humanas", estou sem a menor vontade de imaginar outros absurdos que cabem à esta lista imbecil. Você gostaria de mim, de qualquer jeito? Não precisa responder, eu tenho medo de respostas sérias e racionais vindo entre os seus dentes frios e sagazes.
Quanto tempo estou perdendo aqui? Nenhum, nenhum, estou só fazendo durar o prematuro faz-de-conta, de um menino comum e uma menina normal, com ideias chatas e beijos jovens. Menino e menina agora é o tipo do casal careta-comum, e talvez o melhor jeito de fazer uma coisa diferente seja partir para o clichê. Os comuns também amam nos dias de semana, sábados, domingos e feriados nacionais.
Estou tão comum, que cada dia mais me sinto tão diferente dos ex-comuns. Meu cabelo cresce junto às horas que penso em escrever, esqueço de pensar, e escrevo de você, so-nhan-do. É tudo tão novo, que eu me esqueço que é de verdade, e tenho medo de que de repente seja um delírio, e então começar a te falar de coisas que nunca saíram das estórias que invento pra mim mesma, nas horas vagas, e muitas vezes, nas ocupadas. Parece que eu vou esquecer um sonho, e que tudo vai sair voando a qualquer momento, e lá se vão sobrancelhas se perdendo pelo mundo, deixando os meus olhos sob minhas sobrancelhas tão sem graça, e decepcionadas, tão diferentes das suas, você nunca perderia o que nem mesmo foi seu, como perderia? 
Se fui eu q
u
e
t
i
v
e
?
...

Bem, acho que isso não importa muito, gosto de você o quanto eu preciso para conseguir morrer quando encontro acidentalmente sua expressão perdida, na mesma direção em que eu procuro não perdê-la. Acabou de acontecer. De novo. Obrigada por perceber como estou parecendo uma louca, te perseguindo discretamente.
De todo jeito, eu não gosto dos meus pés, nem das minhas mãos, prefiro quarenta e cinco vezes passar trinta minutos raros contando à Olivette Lettera 82 das sobrancelhas risonhas.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 7/26/2011 04:22:00 PM | 2 comentários

Lição de aquário




Joguei pro universo, como Clara me falou, vários desejos imersos, num aquário de peixes perdidos, não achava nenhum. Se um dia os desejos chegassem, iria para a praia com Júlia, ganharia um chapéu côco e casaria com o professor.
Mas que universo, menina?! Desde quando ainda tem cinco anos? Vê se esquece tuas roupas, teu universo e mergulha nesse aquário antes que os peixes fujam pra praia, seu professor coma eles e Júlia roube o seu chapéu côco.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 5/26/2011 04:22:00 PM | 6 comentários

Vinícius

Maria e Vinícius, ou era Pedro? Maria era mesmo o nome dela, e não é por que é comum, era mesmo Maria. No fim da tarde, ele se recostava numa pilastra, olhando o jogo e os cabelos de maria, cachos loiros, bola de futebol, um fio ou outro quase brancos, pés e meias brancas, no solzinho das cinco e meia, não sabia bem o que fazia ali, não se preocupava com a tarde passando, não dizia uma palavra, e Maria no seu colo, dormia. Só para esconder seus olhos verdes, e fechados, e torturá-lo, por não vê-los. Dormia ou tentava parecer que dormia, enquanto Pedro olhava seu rosto como um quadro, alguma coisa quase morta, não sabia bem o que fazer, parecia uma criança desajeitada, as mãos enrijecidas, não ousavam triscar na menina.

   Pedro achava que Maria era um anjo. Queria casar com ela, e fazer ela lhe contar histórias toda noite, com sua voz e seus olhos, de fada.
   As sobrancelhas extremamente arqueadas de Pedro o faziam parecer sempre ter a mesma cara, surpresa ou talvez maléfica. Que ironia, mal atravessava um corredor com muitas pessoas, poderia chorar se lhe falassem alto demais.
   Seus dedos foram se movendo, inseguros, tremiam por entre os fios, temerosos em acordar a menina que dormia sem saber que lhe tocavam, lhe amavam, lhe mexiam, Pedro sonhando com Maria, dormiu, em Maria. Sonhou com Maria, sonhou em Maria, e Maria: dormia, em Pedro.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 5/08/2011 12:37:00 AM | 4 comentários

Odeio você dentro do seu carro

Caía chuva desde as seis da manhã, e eu esperei demais. Três e quinze, coloco o vestido preto, e corro com medo de perder a chuva. Bicicleta vermelha, o mundo parecia mais vibrante. Parecia que as plantas cresciam e brilhavam mais enquanto chovia, ninguém nunca veria aquilo, do jeito que eu vi, parecia uma gravura mentirosa. Só quando a gente tenta escapar da chuva que ela parece cinzenta e assustadora, e eu não estava preocupada com o pântano na forma dos meus sapatos, ou no meu vestido molhado pesando como uma cortina de couro, o que fazia parecer que havia até três sóis brilhando, incansáveis.

   Pedalava sem o menor esforço, acompanhando muitos passarinhos que estavam ali, voando na mesma velocidade que eu ia, rasante sobre as poças, fazendo parecer que um dragão passava sobre a água. Eu queria ficar, mas sabia que tinha saído por outra vontade. Queria ver minha rua preferida, com aquela chuva me abraçando, tudo ia parecer mais seguro.
   Subo a rua empurrando a bicicleta molhada, ralentando, querendo fazer o caminho inacabável, uma rua infinita. A rua acaba. Tão alta, e cheia de curvas, não tenho coragem de descer. Vejo os carteiros dividindo-se entre as veias, outras ruas que bifurcavam-se, me lembrando labirintos. Eu estava correndo em câmera lenta dentro de um labirinto, por vontade própria. Eu me obrigava a ficar lá dentro, o quanto fosse possível. Meu cabelo estava encharcados, as mechas separavam-se, grudavam no meu rosto.
   E você, suas camisetas, óculos e livros, onde estão? Depois de encantada e sorridente pela chuva, gotas macias, rua poética, vem a raiva sem fim. Um dia você vai subir mil ruas para encontrar meu descontentamento, meu amor guardado nas gavetas, escondido nas cartas. Vai me pedir gentilmente para dividir meu surreal com a sua mudança, e eu aceito, e procuro logo por uma pergunta, que faça você me responder porquê fugiu durante anos.
   Eu tenho um orgulho ridículo e invisível, poderia correr para chegar a tempo de ver você correndo de mim. Eu sei que você nunca vai mudar de ideia. Ninguém nunca mudou. E eu estou aqui. Eu ainda tomo chuva. Eu ainda escrevo cartas. E quem sabe você não estava lá o tempo todo, atrás do vidro do seu carro, me assistindo, criança perdida na chuva, enquanto me odiava, seco e amargo.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 4/30/2011 08:44:00 AM | 0 comentários

Rasga


Olhos manchados, verdes. Magníficos, vulcânicos. Amo: segredo. Destruo quem sente o mesmo por você, e mesmo que eu não quisesse causar tanto, agora quem te ama, me odeia. Odeia, poderia até me matar, e deixaria de comer para ficar chorando.
   Perdoe-me pelos abraços, pelas flores, pelo bilhete, pelas balas de canela, pelos cravos, e pelo pássaro de papel. Foi tudo feito desde o início, já querendo te distrair. Atrair, para mim.
   Menti quando não disse nada, enquanto você questionava o meu coração volúvel e o tempo que ele te faria durar dentro de mim. Horas quase nada, outras horas, sempre, cada segundo. Somos incertos, e competimos a incerteza de cada um, eu e o coração. Só por favor não fique triste se ele te fizer durar pouco, eu nunca tenho a culpa. Sou alheia e ele nunca pede a minha opinião, me rasga e rasga os bons, às vezes os melhores outros corações que se arriscam por aí, atirando-se do viaduto.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 4/24/2011 05:48:00 PM | 0 comentários

Aquela com o Sobrenome da Janis Joplin





E então é assim? Ela me esqueceu? Ela me esqueceu, "esqueceu", sim, mas pensa, uma ou duas vezes na semana, só por descaso da própria memória, de deixar entrar um lembrança tão boa, que dá vontade de chorar de tanta saudade daquele amor tão frágil que caminhava vacilando, horas com toda a certeza de sem-fim, infinito, final bom. Horas áspero, indiferente, cuspir na sua cara palavras grossas e meus beijos reservados para um ninguém qualquer. Massacre, ainda que sem a intenção de fazer sofrer, como eu fiz.


   Você sempre teve toda a razão, ou eu que tive, e com toda essa razão, estúpida e insensível, rasguei todas as frases sonhadoras e perigosas que você inventava, alguma coisa não me deixava aceitar elas. Era demais para mim, sempre foi. E acredite, de algum jeito, continua sendo. Você ainda está aqui, e eu só percebi agora, o quanto você mora em mim, e faz falta, ainda que eu nunca mais vá ter a maldade de te querer tanto, a ponto de pedir para você voltar. Você e esse seu nome, com o sobrenome da Janis Joplin. Janis Lin Joplin. E de repente, quando eu achava que tinha esquecido de tudo, uma surpresa.


   Pela primeira vez, depois do 29 de maio, o único que eu me lembro, por motivos sublimes, me espantei, mais do que todas as vezes que tive o maior dos espantos, quando vi você dizer pela primeira vez, com o tom que me pareceu tão desconsiderante e normal, que, não sentia tanta falta. Não mais.


   Eu realmente consegui. Consegui entrar na sua vida, fazer dela meu sonho, e virar o seu. Sonhamos juntas, e sorrio, quase até choro um pouco ao dizer isso. Consegui ignorar, entender, gostar e destruir tudo, algumas vezes. Ainda posso destruir mais, mas acho que não conseguiria.


   Ainda há o que se destruir, alguma coisa ainda canta nesse espaço que vai de mim e se afasta cada vez mais de você, ou o contrário.


   Queria ter coragem de perguntar, sem mais nem menos, por onde você anda, aparecer de repente, quem sabe sorrir de um jeito estranho, daquele jeito que eu sorrio quando gosto de acabar com a saudade de te abraçar, encostar minha orelha no seu ombro sem medo, e você me acolher com um olhar para qualquer lugar.


   Alguma coisa não me deixa. Agora que eu te deixei seguir sem mim e de uma certa forma aprendi a seguir sem você. Acho que seria a coisa mais estúpida, ainda mais, se fosse sem a certeza, que de qualquer jeito, eu nunca tenho. Vai que eu me arrependo por um motivo ou por outro, ou por nenhum.


   Me disseram outro dia que eu "desapaixono muito rápido". E sinceramente, fico confusa escrevendo tudo isso, e pensando em você, então não pode ser verdade. Isso vai durar anos, talvez muito mais do que se você ainda estivesse aqui do meu lado. 


   Você me disse uma, centenas de vezes, que eu fui a primeira pessoa por quem você se apaixonou. E eu sempre fiquei em silêncio. Eu não sei, de verdade, ou não sabia, se eu já me apaixonei. Acho que não sei bem como descobrir. Mas pelo que eu sei até agora, talvez eu possa dizer que você foi a única pessoa por quem eu me apaixonei, e foi a primeira, e vai continuar sendo a primeira, vai continuar existindo e me fazendo pensar em arrancar você, de onde quer que você esteja, e fazer tudo ser como antes.


   Fiz um passeio por nosso tempo... acho que estou razoavelmente bem. No fundo, vai ser como se eu pudesse decidir a hora de gostar de você, de acordo com o que me diz a saudade.
   E você, o que me diz?

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 4/07/2011 11:29:00 PM | 0 comentários

Branco cor-de-água

-Não, acho que é na próxima...




-Aqui. Não foi difícil achar...





-É!...Tchau, obrigada.




Primeiro pé, o segundo, procurando o equilíbrio em cima de um salto quinze azul escuro, mas todos achavam que era preto. O palco estava ali, já estavam todos vestidos e maquiados, e eu estava atrasada para entrar, mas encontrei a minha deixa




-Merda!- diziam em couro arregalando os olhos para mim, e voltavam-se para o seu antigo foco.


-Merda para vocês também (e nunca, nunca, boa sorte!).


Me perguntei se aqueles sorrisos faziam parte da cena, ou se era algum sinal. Um bolo imenso tomava conta do centro, e em volta espalhavam-se mais de duzentos figurantes, e os espelhos em cada parede pareciam aumentar mais ainda as dezenas de pessoas fingindo comer e gostar da comida. Quem escolheu aquelas roupas e aquelas caras? Não gostei, mas não tenho concentração o suficiente para me distrair com trivialidades.




Toc. Toc...Toc. cada passo é bem calculado ou pelo menos deveria ser, nas pequenas quedas quando passam das duas da manhã. Eu não sou a única, todas ali pareciam palhaços em pernas-de-pau. Eu estava vestida no meu velho personagem, alguém comentou sobre a minha mesma boca vermelha e venenosa, os meus mesmos sinais embaixo do olho. Tarde demais, não posso trocar o papel tão em cima da hora, já estávamos em cena, talvez não me reconhecessem com outra pintura.




Cumprimento os conhecidos, nem tantos, desconhecidos... acho que nenhum.




Depois de duas horas estamos todos aglomerados como mortos de sede num deserto, dando a vida e roubando um pouco da morte por um drinque.




Mas não. Coca. Coca. Coquetel. Suco. Coca. Cerveja.




Vodka, vodka, vodka, por que demorou tanto, se haveria de acontecer? Ninguém repara no meu copo, transbordando álcool, branco cor-de-água.




Então, todos se voltam para mim enquanto tenho uma coragem repentina de arriscar alguns passos, cambaleando pelo chão brilhoso. Aquilo estava começando a me consumir. Pronto, já acabei. Agora já sou (a mentira). Finalmente, quantos amigos! Não beijo ninguém, só um ou duas. Chega. Me sinto um rato estúpido e insuficiente. Chega, me deixem encher o copo de vocês com um pouco do meu sofrimento. Eu odeio, odeio vocês.




Tchau, meus queridos, até breve... Aceno, sorrindo, entro no carro: confusão. Inverto, de novo, os papéis, nunca bebi. Nunca fiz na-na-na. Melhor parar de falar. Silêncio.




Chegamos. Tiro o primeiro, o segundo, agradeço por não ter um terceiro sapato, apesar de me parecerem quatro, mas tudo bem, amanhã voltarão a ser apenas dois. Apago tudo.


Palmas? Hoje não, não dessa vez, quem sabe num outro espectáculo... agora ande, me traga um cigarro, só um.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 3/20/2011 06:31:00 PM | 0 comentários

Maria Amélia




Eu não queria falar de mim, mas nunca há outro jeito. Sou a única pessoa que eu conheço, até agora. Me engano então, presenteando-me com um codinome, assim não vai ficar tão óbvio para mim mesma que (não) sou eu - não sou eu. Maria Amélia sempre marca as sextas-feiras treze de cada ano, assim, se alguma coisa de ruim acontecesse teria no que colocar a culpa (dela). Não que acreditasse nisso, só preferia pensar que tinha um bom motivo para tudo dar errado. Maria Amélia chora de vontade, sorri porque tenta mostrá-la e depois fica séria... para não deixar que vejam o que ela anda mostrando: Maria Amélia se contradiz, é tola e se apaixona fácil. Não que eu não goste dela, não é isso. Mas é que às vezes me dá raiva desse jeitinho que ela leva a vida nas costas, sem segurar direito, "cuidado, pode cair". E é tão frágil a vida em que ela mora, que qualquer brisa pode derrubar tantas vezes uma mesma carta, que dá medo pensar no que a brisa faz com ela, misturada entre as copas, ouros, paus e espadas, que são até, mais fortes do que ela, que as escreveu. Ás vezes, eu até diria que essa menina não vive, porque inventa demais para as pessoas que eu conheço e costumam viver. Seu melhor amigo era o carteiro, a melhor amiga a caixa de correio, mas ela estava prestes a conhecer o caos, seu mais novo colega de quem sabe, todos os dias seguintes, se toda a sua construção de cartas caísse.


Acho que nunca fingiu ser outra pessoa, mas o tempo todo fingiu não ser ninguém, ou ficar por baixo dos lençóis do sol do azul, porque em cima, era tudo muito, muito claro. Tão ridiculamente claro, que chegava a ser compreensível, veja só!


Nunca entendi um pouco, nem dois, do que ela sonhava. Era muito para alguém sozinho. E ainda odiava ler pensamentos dos outros, que já tinham passado por sua cabeça antes. Sentia-se imitada, traída, o mundo não era tão justo, então.


Tudo que ela queria, para parar de responder que "não, não está tudo bem", era um amor impossível, mas só servia se fosse bem impossível e complicado mesmo, daqueles que dão preguiça, um gato e uma máquina de escrever os seus sonhos (novos) e dessa vez mais reais, quem (não) sabe.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 3/13/2011 01:01:00 AM | 0 comentários

Não-nada, Não-você



Meus olhos estão em chamas. Não parecem estar. Talvez por que estejam molhados, aos poucos vou deixando essa água cair no chão, e você vai ver. Estão sim, prometo. Estou queimando num fogo frio. Apagando o que ousar crescer e ficar grande o suficiente para ninguém mais conseguir guardar de volta, e deixar guardado, só por deixar... existir em silêncio. De que adianta? Só mais um paradoxo para a coleção. Existirem seus não-risos, o não-cheiro das suas camisetas quadradas e gentis (tanto quanto suas palavras), o cheiro dos seus não-óculos, e das coisas que você lê, ou não lê, não-nada, não você, não sei. Não sei não. Que todo amor platônico, fosse. E só de ser, eu seria. Amor. E teria o amor, que não é.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 2/17/2011 01:24:00 PM | 6 comentários

Quarto Escuro

Ela me deixou assim, diamante bruto, então, eu deixei ela.
O que antes era pista de qualquer delicadeza, foi embora em meio à palavras rudes, fiquei sem palavras boas para dizer, sem paciência para escutar as dela, contraditórias, doces e desesperadas. É tarde demais, se ela morreu, acho que morreu fora do meu coração, porque está cada vez mais distante, mas espero que esteja bem, ainda que eu não tenha nenhum sorriso para dizer isso.

   Nessas horas, eu queria ser um quarto escuro, com a luz apagada, e poder sumir sem precisar dizer nada. Ninguém me enxergaria, nem poderia acender as luzes.
   Eu vi seu rosto mais de outras cem vezes mas agora tinha cara de problema. Eu fiz ela ir embora de mim, talvez isso seja um problema resolvido. Mas não sei se ainda estou dentro dela, afinal, problemas resolvidos continuam sendo problemas. Prefiro falar que ela foi uma dúvida, se ela preferir assim. Mas agora se existem certezas, são outras...

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 2/11/2011 03:06:00 PM | 1 comentários

Magenta




Ela me olhava pelos cantos, e a minha vontade era de abraçá-la como nunca antes, como nunca mais. Só porque ela era uma menina, nossos beijos tinham que ser silenciosos, escondidos, embaixo do mundo, sem ver as estrelas que sorriam por um minuto de ar fresco, o beijo mais raro do mundo na frente de todo o céu. Tínhamos mesmo que fingir que éramos apenas boa amigas. Ela tinha uma cara de sono e me mandou um sorriso como quem quer dizer "esqueça isso agora, vamos passar essa tarde, antes que ela passe por cima de nós". Mas eu sabia que ela não queria dizer nada. Estava apenas entediada pela minha falta de beijos, excesso de magenta e de conversas enroladas, fingíamos qualquer assunto, enquanto queríamos rir de uma coincidência, à toa, que minutos depois acharíamos tão sem-graça que riríamos por horas, e eu daria só outro beijo em silêncio, e sem razão para ela ver que eu estava ali de verdade, e ela ia sorrir para mim. Ela, sempre ela, nesse filme velho e batido, acho que ninguém agüenta mais. Só eu, e ela. Só eu, e ela. Eu, e ela. Eu, e ela. Ninguém mais agüenta.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 2/09/2011 05:48:00 PM | 1 comentários

Toco de Lápis

É verdade que todo mundo aprecia um pequeno amor, mesmo que não seja tão bom assim, e que obviamente vai durar menos que o dia que a sua mãe lhe deixou sozinho em casa pela primeira vez.
É claro que de ponta a ponta, o lápis acaba, e essa coisa toda vira só mais um detalhe daquilo que você pensou quando estava caminhando. E então é tudo igual: amor, pastel e beliche. O cheiro e os nomes são um pouco distantes, do que antes pra mim era quase como o especial de natal do fim do ano, e agora eu nem assisto um pingo de televisão. Parece mesmo que quanto mais a gente envelhece, mais essas coisas se banalizam, e ninguém mais faz escândalo ou dá risadinhas quando alguém se beija ou chora de ciúmes.



Os adultos se casam como se estivessem cumprindo alguma coisa que estava marcada desde os cinco anos, quando eles entenderam a foto de noiva da mãe, a cara feia do pai olhando para as contas do fim do mês.


Eu podia passar horas olhando para o teto, procurando uma teia de aranha, pensando em nada. Em como eu tinha nascido e como era incrível que meu coração batesse sozinho. Genial. E então os dias passam em telas de computador, compras, e glacê, a doce cobertura da vida dos outros (doce, por mais que o bolo esteja com um gosto horrível e você comeu discretamente a cobertura e deixou o resto no prato).


Antes de tudo, as férias eram só dias de cafés da manhã maiores, e pular corda até enjoar e fazer uma poção mágica de água e corante, para sair do tédio.


Com doze anos você já o ser humano mais aflito dos últimos tempos, que acha que logo que elas começam já estão acabando, que você não vai encontrar o amor da sua vida molhado de sal, nos 40 graus do verão, como se não houvesse mais ninguém interessante do que o grande babaca que você representa tão bem, mas no fundo não é (tanto assim).


Talvez pelo mesmo motivo que você se acostuma a andar rápido de cavalo, e fica se esbaldando sozinho, no jeito como você acha que anda bem, ninguém nunca vai encontrar o amor como um velho pesadelo, talvez uma meia gasta, que você tem pena de dar, ou jogar fora.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 1/06/2011 02:45:00 AM | 1 comentários

De abandono






Poderia assistir você dormir, mas o cinema era mais perto do que a noite e a cama. Afinal vim ver você, não o filme. Descontar toda a minha raiva dessa sua habilidade descomunal de me fazer ciúme, preferindo chorar, sem ter mesmo outra escolha. Minha raiva da sua felicidade, de me ver triste e poder colher minhas lágrimas como alguém que plantou uma prova do meu amor, e agora: a saudade, até mesmo de ter raiva, porque eu acho que gosto de você, da forma que uma xícara transborda sopros, da forma que eu abro meus olhos cem vezes depois de cada abraço. Não tenho medo de não te achar porque sou pouco demais. Tenho medo, porque você é tanto...
Diálogos gritantes entre vizinhos. À esta gente não tão próxima, digo com um meio orgulho à curiosidade alheia que você agora me deixa, e não vai mais voltar.
-Ela vai pra Itália!!!
-De passeio?!?!
-Não, de abandono...!!!!
Eu prometi não dizer mais para onde você iria, "Vai embora e basta!", quero este nome distante, mais do que você vai estar de mim.
Quando liguei, não era sua voz: uma tentativa frustrada de me fazer acreditar que você recusava minha preocupação.
E você não cansa de colher minhas lágrimas, ou eu que não canso de alimentá-las, elas não param de crescer, pintaram em mim um pequeno sorriso para manter o controle, fingir que tudo vai, bem, mas não tanto. O que foi? Nada.
Você correndo atrás dos pombos formando uma nuvem com centenas deles, enquanto eu estragava sua brincadeira, insultando-os, vermes, ratos alados...e rindo, pelos cantos mais obscuros do meu riso mais mastigante. Sei que você poderia comê-lo. A imagem poderia até me encantar, você corria no sol, eu queria te abraçar, mas fazia perguntas frias, por puro medo. Medo de que aqueles beijos fossem os últimos.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 12/07/2010 11:48:00 PM | 1 comentários

Itália

Chegaram a uma conclusão: sou complexa. Metade das pessoas diz que isso é bom, muitas outras não dizem nada. Não entendem nada. Acho que nem você me entende, muitas vezes. Acho que as palavras esqueceram de como sair da minha boca pra te mostrar que eu te vejo, criança, tão pequena, e te cerco com meus braços e você não pode fazer nada, às vezes isso me faz mal, quando vejo nem sempre lhe faz bem. Eu faria de tudo para pôr um juízo nessa sua cabeça, cresça, cresça, mas caiba dentro de mim.


Passei a noite sonhando comigo: sem graça, des-graça, palavras e palavras, sempre as mesmas, parecia que eu as lia, mas não podia escrever, nem esquecer, e repetia pra acordar e te dizer. Não disse.


Meu sonho hoje era que a Itália, a Espanha, e todos os outros lugares do mundo que você pudesse ir, fossem aqui, então você não poderia ir pra longe de mim, você não iria a lugar algum.


Tentei te ligar muitas vezes, e por um instante tive medo de esquecer sua voz, trocada pela secretária eletrônica, que parecia estar tramando absurdos para que eu não pudesse te encontrar. Foi apenas um momento de exagero.


Você continua aqui, consegui falar com você, você atendeu. Pronto, nada mais pode dar errado. A ligação não foi tão curta, foi suficiente, desligo. Sinto saudades, algo tão repentino e inquietante, e ligo de novo, não foi tanto tempo assim, preciso falar com você (mais e mais). Nunca sei o quê, mas sempre falta alguma coisa, como um colar sem fechar, que pode cair a qualquer momento, enquanto corremos em volta de nós mesmas, arrumando um jeito, uma idéia, de conseguir agarrar, uma a outra, pela última vez, sem chances de saída, de fugir ainda que sem vontade de ir embora.


O que falta na verdade, é um pouco mais de mim, e só um pouco mais de você, algum lugar, sem telefones, sem colares, sem nada, sem Espanha, sem Itália.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 12/02/2010 06:35:00 PM | 0 comentários

Antes do fim: uma tarde

Afinal, houve realmente uma intenção de contar sobre a tarde. Eu fingia fingir não ter nenhum propósito, enquanto apenas a trazia para mais perto de mim. Convidei a tarde para sentar na beira da minha cama, e como tantas vezes, eu conversei com meu travesseiro, que me traduzia o que a tarde lhe contava, no dia em que passei aquela tarde com você, num quarto trancado, com uma rede aberta, e um céu de cor.
Eu sei de cor que gostaria de você com tatuagens coloridas e com aspectos de quebra-cabeça de vitral, com figuras bizarras e flores inventadas, mas se você tivesse, eu não gostaria de você. Porque eu queria poder só gostar de você exatamente assim como você está agora, mesmo que você esteja dormindo ou acordando.



Gostaria de fazer uma exposição de fotos penduradas com pregadores de roupa na tour eiffel de pessoas nuas correndo atrás de um carrossel capaz de chamar mais atenção que elas. Mas elas seriam abordadas por policiais assustadores, e elas não seria tão bravas para discutir com eles.


Por isso prefiro concluir que você é a pessoa mais valente entre todas as pessoas nuas que eu imaginei e mais tatuada do que todas as mulheres furadas e pintadas que eu vi, porque você seria a única a dividir uma tarde comigo, numa rede, numa cama, num chão, num céu, azul.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 11/21/2010 02:52:00 AM | 0 comentários

Fim




Prometo que só você entenderá cada pedaço de palavra que eu disser, repetir, reescrever, outra vez, e desta vez, com as minhas próprias mãos. Esta tarde passou primeiro pela própria tarde , depois passou por meus olhos, minha mente triturou até os cantos daquele quarto trancado, e agora eu finjo ser alguém inspirado e encantador, mas na verdade, ou foi você, ou foi a tarde, ou foi a chave, quem pensou em tudo.

Minha cabeça é tão oca quanto um tronco ruído, um copo cheio de ar, um sala entupida de eco, um silêncio insuportável, mas que eu nunca consigo ouvir, porque sempre, a todo o tempo existe algo atrapalhando, colorindo, informando, dentro do algodão-doce rosa e húmido que molha as paredes do meu crânio.


Eu não invento nada. Sou apenas uma reles vivedora de coisas normais, que por sua causa transforma cada som das frases, na mente dos outros, em músicas inteligíveis, confusas, e cruas.


Sua loucura, disfarçada em pequenos cachos rasgados, não me engana, minha mente é fruto do seu mistério, sou inquieta, perspicaz, e quase nunca tenho culpa quando que não quero ter.


Algumas pessoas indignam-se com os fins que findam sem ar de fim. Só sabe quando realmente é a hora do fim, aquele que o faz, e agora é fim, e a tarde ficou para trás, como se eu nunca tivesse fingido pretender falar nela.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 11/21/2010 01:40:00 AM | 0 comentários

Idéias cort-adas


Posted by Menina Radiguet Drubi | às 11/21/2010 01:36:00 AM | 0 comentários

Bem observado...






Se as vacas bebessem leite,
seriam seres autótrofos.


O cotovelo para mim é um
joelho velho.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 11/02/2010 03:41:00 PM | 1 comentários

Areia

Sair de perto das outras pessoas era como tomar um outro rumo, ou poder olhar direito para os olhos que deitavam comigo, e não saiam de lá, mesmo depois de horas, e parecia que tudo era infinito, e que continuaria igual, no mesmo lugar. 


Nossas conversas quase sempre levianas e sonhadoras não nos deixava ouvir mais nada, e havia um certo medo dentro de mim, da sua felicidade nos assuntos que me deixavam com vontade de te trancar numa caixa e guardar para mim e mais ninguém. Claro que eu não quero ir embora, e sempre tentamos fazer esse pensamento não volte, com um toque, ou um sorriso, é dele que não precisamos.



Eu me distraía nas suas sardas na pele rosada, e insistia em silêncio, para que você olhasse para mim e me beijasse rapidamente, só para eu não ter que dizer nada, nada que você não saiba.


Você odiava a praia, tanto quanto eu odiava te ver sem mim, na praia. Era bom segurar sua mão, mesmo com todo o vento e as gotas de água que respingavam em mim, nos fazendo rir.


Estávamos apenas andando, mas na minha imaginação, corríamos e fazíamos saltos impossíveis e loucos, que nos davam preguiça, então era melhor deitar.


Passamos o tempo olhando pro céu, e para as estrelas dos olhos, que iam desaparecendo ao escurecer e iam ficar perto da lua. Apesar dos meus joelhos e mãos cobertos pela areia, era inevitável te abraçar e nadar no mar de grãos. Era estranho, toda aquela maresia, o tempo devagar, mas finalmente fomos tirar os grãos do corpo, e deitar numa rede fria. Agora minhas bochechas também estavam rosadas, eu que tinha jurado não mostrar a cara para o sol, e enquanto começava a sonhar você olhava para os meus cabelos mais claros, depois da praia e eu beijava seu sorriso, para dormir melhor.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 11/01/2010 04:17:00 PM | 0 comentários

Carneiro





Uma menina muito pequena estava acordada numa cama muito grande, em alguma hora da madrugada. Ela bebia muitas xícaras de leite morno e afundava em todos os travesseiros que tinha. Tudo que ela queria era um punhado ou um pacotinho de sono, que fizesse ela acordar com mais sono no outro dia, para tomar café com cara de sono e com voz de sono. Ela lia livros de todos os tamanhos, com letras de todas as cores, e mesmo assim, continuava acordada. Não gostava de contar carneirinhos, pois ela não sabia qual número vinha depois do 64 e tinha pena dos carneiros que pulavam sem parar, uma vez até, pediu para um ler uma história para ela. Então ela fechou os olhos, sem apertar tanto, e sonhou com um campo de flores, e a canção de ninar: quase dormiu.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 10/31/2010 01:15:00 AM | 1 comentários

Bombas

Devo no mínimo dizer que estas coisas estavam atrasadas e impacientes para serem escritas. Quando se conta, às vezes parece patético, as pessoas riem, mas de perto é um pouco mais barulhento, digamos assim. Não quero ter certeza nem lembrar da data exatamente, mas acho que já faz um ano que ouvi pela primeira vez os gritos mais gentis de uma guitarra, acompanhados por letras duvidosas e alguns olhares melodiosos.


Até hoje é difícil evitar pensar em outras coisas, olhar para outro lado, o máximo é sempre tocar o copo molhado com os dedos, ou fingir beber a coca.


Os encontros costumavam ser mais constantes, era o tempo suficiente para eu não conseguir esquecer de nada.Nada.


E aos poucos aqueles ruídos foram se afastando cada vez mais, até eu ver a imagem muda, só suas caras, e seus dedos longos. Mas eu varria os rostos e os sons, e comecei até a ver coisas, então eu caí.Caí depois de ver mil cópias de uma mesma canção doce, até tentei tocá-la, mas ela sangrou dentro de mim, até o mundo desaparecer, sair voando, enquanto eu procurava pelo mundo, porque eu tinha esquecido que você está lá dentro, e não aqui.


Então eu levantei, e tinha vinte e um anos, já era alguma coisa, apesar de ser apenas uma noite antes da vidinha que voltaria em breve...


Eu não estava me importando muito, na realidade. Ainda era meia noite, e você estava brindando ao uísque, comigo e mais tantas pessoas, mas eu sorri e olhei para o palco, e manchei o copo com batom vermelho. Depois de algumas músicas, algumas doses, e devaneios, depois de tanto tempo olhando fixamente para um mesmo ponto, eu caí. De novo. Mas o chão não estava lá, pensei seriamente na hipótese de ser só um sonho que eu iria esquecer depois, mas eram dois braços, e eu pude sentir pela primeira vez, os dedos longos que antes só apareciam junto às cordas vibrantes. Sua voz estava mais alta que o resto, e mais alta do que as outras vezes que eu já ouvira, nos microfones e nos breves cumprimentos. Você perguntou se estava tudo bem, provavelmente eu não pude responder, mas acho que estava claro. Na mesma noite a cena se repetiu, até a madrugada dizer que logo seria manhã e você estava indo embora, dando a volta na rua vazia com seu carro cinza-comum.


Devo ter ficado em transe por alguns minutos, afinal, era inaceitável que fosse tão simples você ir embora e pronto, lá estava eu às duas tarde com a cara no travesseiro, sem me conformar que aquilo havia sido verdade, mas tinha acabado.


Solos de guitarra bombardeiam garotas tolas e jovens, arrancam seus corações e tornam-se fixação, loucura e um sofrimento muitíssimo agradável.Recomendo.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 10/28/2010 05:45:00 PM | 2 comentários

Ameixa, outra vez


Eu não sei bem como começar a desenrolar este pergaminho esquecido e desarrumado, que vem pesando, há algum tempo, logo depois daquele dia que eu disse coisas que não deveria, porque eu não tinha certeza, mas elas agora, estão certas, para mim. A lentidão de ter percebido isso agora, talvez me leve ao nada, e a solidão vai me pegar de surpresa na outra esquina, e mais uma entre muitas vezes, voltarei a ter raiva do amor, já que você não quer mais me ter, como amor.

Acho que eu poderia até jurar que meu coraçãozinho de margarida branca, nunca foi de outra pessoa, mesmo que o tenha mencionado, quando pensava em um outro alguém com segundas intenções, mas você deve ter sido sempre a minha primeira intenção, mesmo que de uma forma acanhada nos meus pensamentos. Você deve ter sido a minha primeira. A primeira das frutas, que por um sem-motivo-qualquer resolveu me chamar de fruta, enquanto a fruta na verdade, era você. Um rosto rosado e tímido, de ameixa rosada, e tímida.
É inaceitável, que quase no fim do que eu era para você, eu ver que você não virou nada, sempre foi desse seu jeito, para mim. Contudo, o que eu mais andarei sonhando, é que surja um pontinho daquela ameixa, me aceitando de volta. Pode ser assim ? Pode ser que você ainda sonhe com os olhos castanhos invadindo sua janela, quando você pensa ter esquecido deles, para sempre ?
Era bom ouvir você dizendo que queria ficar, ver você rabiscando suas fantasias, jovens demais para a sua idade.


Não sei explicar o conforto, mas é como se um abraço seu, fosse cama quente e macia, numa tarde fria depois da praia.
A melhor coisa do mundo, é não ter medo de escancarar o amor na sua cara. Ele é
todo meu. mas eu te dou, se você quiser.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 10/02/2010 10:19:00 PM | 0 comentários

E mais nada


É, meu bem, aqui estamos. Eu sozinha, escrevendo bobagens sobre amor e mais nada. E você aí, se escondendo de mim, e pronto, deixamos assim, que já é suficiente. E só para esclarecer o que nós omitimos ali, logo atrás das mentiras ocultas, indiretas, não há nada de mim que vai para você, nem isso ao espelho, se é que você entende, ou custa a entender, como quando eu tentava te explicar tudo com metáforas criativas, ainda que impossíveis de decifrar. Minha mente aberta para o mundo e fechadinha à sua maneira para a percepção comum, só costuma atrair as pessoas curiosas, que querem dar um olhadinha aqui e ali, saber o que é que está dentro da caxinha colorida e piscante.


Só ando arrastando mais e mais gente curiosa, e talvez fazendo tudo de errado, repetindo o que você fez comigo, que me ensinou a ter raiva das pessoas que a gente gosta, e quer sentir a temperatura da mão, na hora que incomoda o canto esquerdo de tudo o que pulsa do outro lado da pele.


Dia é só um outro jeito de dizer perda de tempo, que eu nunca consigo encontrar. Sei que só estou fazendo salada de frutas com suas idéias, mas não controlo, me ensinaram assim, mesmo que odeie deixar seus olhos vazarem. Apesar de tudo, tenha uma boa noite, uma boa vida, são 22 e 22, Vou dormir. Agora.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 9/23/2010 10:23:00 PM | 1 comentários

Corda estúpida


Se eu estivesse aí dentro, seria melhor que você, pensaria em flores, e como elas chegariam até as minhas mãos, nem que fosse direto das suas, fora de um sonho qualquer. Eu escreveria cartas quase todos os finais de semana dizendo que estava com imensas saudades, até amanhã. Sim eu iria todos os dias dar pelo menos um sorriso, um sinal de existência, apesar de todo o mal-humor, toda a preguiça. Eu cuidaria até o sufoco, até a loucura, eu provaria por mais equivocadamente que fosse, que eu preciso de pouca coisa para continuar vivo, mas só um golinho de você basta para que eu continue, por pelo menos um dia. Eu traria o cansaço de ver sempre o mesmo rosto.


Mas eu não faria isso comigo. Eu não me confundiria, não me faria olhar rápido para as palavras erradas. Eu não arrancaria pétala por pétala do meu coraçãozinho de margarida branca. 


Já que me perguntam o que eu penso disso agora, eu não consigo evitar de dizer que não acho nada, prefiro que você simplesmente desapareça como lentes de contato em chão de feira. Não entendo disso direito, mas às vezes vem a raiva repentina, e então eu sinto falta duma coisa tão leviana, que eu já deveria ter esquecido, antes da hora. Não vale a pena isso tudo, não é ?


Estou meio sem equilíbrio, agora que perdi o ponto fixo, para o qual eu tinha o raro conforto de olhar, quando alguém estalava os dedos para eu acordar e ver alguma coisa dentro de você, que pudesse ser boa para mim, depois de algumas conversas.


E agora, me sinto de novo, um nada para ninguém. Os desconhecidos não me interessam, e os conhecidos nunca aparecem para dar bom dia na hora certa. Eu sempre estou longe, muito longe de tudo.


Nessa corda-bamba, parece mais fácil fazer saltos mortais e me atirar do que simplesmente procurar mais equilíbrio numa situação tão estúpida e vulnerável.


Pensar que um dia depois, eu esqueceria tudo, e conheceria um alguém com asas, que me levaria junto, para o resto do mundo. Se eu soubesse não teria pulado. Que culpa teve o precipício ? Se a precipitada era eu? Andei até lá, olhei, lá em baixo, e fui ver mais de perto. Adeus, céu, te vejo mais tarde, se é que não fui uma menina tão má.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 9/23/2010 09:27:00 PM | 0 comentários

Cinzentos Malditos.


O mundo insiste em sacudir, e eu estou agitada, tenho a cara da cafeína em todas as suas formas. Não agüento ouvir nada além de elogios, as críticas e a consciência dos meus erros já me cansaram o suficiente, por mais que eu esteja da pior forma, a mais errada de todas, eu não vou dizer isso nem indiretamente.


Estão me entediando, a conversa, a perfeição, o quadradismo. Se eu tivesse um anjo, desejaria todos no inferno, ou pelo menos para fora do meu quarto, e depois da minha vida, se não for tão incômodo como é para mim, ter vocês sussurrando palavras gritantes pelas costas, entre dentes sangrentos, essas bocas pingando veneno e desejo da angústia alheia. Eu sou tão pior do que você, espero que você chore toda vez que lembrar disso, e do meu sorriso vazio, tamanha a falta de maldade dentro dele, e até dentro de mim. Não, não dentro de mim. Se ela estiver por perto, só está nos meus olhos, acho que peguei de vocês, cinzentos malditos.


A culpa não é mais minha se deixei a aflição de ver sangue. Mesmo sem dono, a colocaria sem a menor preguiça em vocês, porque meus olhos não agüentam mais o cheiro de café com coca-cola todos os dias. Eles estão cansados de ampliar os horizontes, e logo, logo estarão se fechando.


Esta será a última doze, lamento dizer que da próxima vez que tentarem manter-me acordada, serei obrigada a explodir uma por uma dessas mentes desocupadas que me inventaram esses livros inexos, furando meu cérebro com cada letra, palavra, obrigação. Obrigada, foi fantasticamente inútil tentar me escupir.


Agora falo sério, não darei mais atenção aos pensamentos destes porcos. Vejam só que lindo animalzinho criaram aqui dentro do meu coração, eu poderia até comer uma lebre viva. Sou mesmo um animal. Nasci animal e de súbito tiraram todos os meus instintos. Agora eu sei muitas, tantas outras coisas. Sei que preciso saber uma porção de conhecimentos próprios de um idiota sem órgãos, sem pais, sem filhos, sem idiota. Desculpem-me, caros idiotas, ainda não sou uma máquina. Por isso boa noite, desisto. Eu desisto.

Posted by Menina Radiguet Drubi | às 9/16/2010 06:26:00 PM | 0 comentários